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Brasil fecha 2025 com menor desemprego da história

Índice de 5,1% é o menor da série histórica. População ocupada de 103 milhões de pessoas também é recorde.


POR Agência Gov | com IBGE

Publicado em 30 de janeiro de 2026

O índice de desemprego de 5,1% registrado em dezembro é o menor da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do IBGE. Dados divulgados nesta sexta-feira (30) apontam que a taxa média anual de desocupação da força de trabalho do País (formada por 103 milhões de pessoas) recuou de 6,6% em 2024 para 5,6% no ano passado.

“A baixa desocupação não foi provocada por aumento da subutilização da força de trabalho ou do desalento. A trajetória de queda foi sustentada pela expansão da ocupação, principalmente nas atividades de Serviços”, diz Adriana Beringuy, coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE,

A população ocupada em 2025 foi recorde na série histórica, com 103 milhões de pessoas, frente a 101,3 milhões em 2024. O valor do rendimento médio real habitual das pessoas ocupadas aumentou 5,7% na comparação com 2024.

A estimativa anual da população subutilizada (pessoas desocupadas ou subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas ou na força de trabalho potencial) recuou 10,8% entre 2025 e 2024, passando de 18,7 milhões de pessoas para cerca de 16,6 milhões. Nos anos da Covid-19 e do governo Jair Bolsonaro, esse contingente chegou a 31,2 milhões em 2020 e 32,1 milhões em 2021.

Com isso, a taxa composta de subutilização para 2025 (14,5%) foi a menor da série, enquanto em 2024 foi de 16,2%. O indicador chegou a 28,3% e 28,5%, nos anos 2020 e 2021 devido aos efeitos do bolsonarismo e da pandemia de no mercado de trabalho.

O valor do rendimento médio real habitual das pessoas ocupadas foi estimado em R$ 3.560, um aumento de 5,7% (ou R$ 192) na comparação com 2024. Na série histórica da pesquisa, desde 2012, o menor resultado havia sido em 2022 (R$ 3.032).

“Além dos impulsos setoriais, a valorização do salário mínimo influenciou o ganho de rendimento nos segmentos de atividades mais elementares e menos formalizadas. Dessa forma, independente da forma de inserção na ocupação, o crescimento do rendimento foi difundido para a população ocupada como um todo”, ressaltou Adriana Beringuy.

Carteira assinada

A estimativa anual do número de empregados do setor privado com carteira de trabalho assinada cresceu 2,8% no valor de 2025 frente a 2024 e chegou a 38,9 milhões de pessoas, o mais alto da série. Houve um acréscimo de cerca de 1 milhão de pessoas formalizadas em relação ao ano anterior. Já o número de empregados da iniciativa privada sem carteira assinada caiu 0,8%, passando de 13,9 milhões para 13,8 milhões de pessoas.

O contingente de pessoas que trabalham por conta própria foi o maior da série histórica, com estimativa anual de 26,1 milhões, crescimento de 2,4% em relação a 2024, quando foi de 25,5 milhões. Em relação ao início da série em 2012, quando era de 20 milhões, o crescimento foi de 30,4%. A taxa anual de informalidade passou de 39,0%, em 2024, para 38,1% em 2025.

“A taxa de informalidade seguiu em queda em 2025. Seu valor relevante (38,1%), contudo, reflete característica estrutural do mercado de trabalho brasileiro. A composição e dinâmica da população ocupada ainda é bastante dependente da informalidade, sobretudo, devido à grande participação de trabalhadores no comercio e em segmentos de serviços mesmos complexos”, ponderou Adriana Beringuy.

O contingente na força de trabalho (pessoas ocupadas e desocupadas), no trimestre de outubro a dezembro de 2025, foi estimado em 108,5 milhões de pessoas, com estabilidade em ambas as comparações.

A análise da ocupação segundo os grupamentos de atividade frente ao trimestre de julho a setembro de 2025, mostrou aumentos em: Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (1,6%, ou mais 299 mil pessoas) e Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (1,5%, ou mais 282 mil pessoas). Os demais grupamentos não apresentaram variação significativa.

A Pnad Contínua é a principal pesquisa sobre a força de trabalho do Brasil. Sua amostra abrange 211 mil domicílios, espalhados por 3.500 municípios, que são visitados a cada trimestre. Cerca de 2 mil entrevistadores trabalham nesta pesquisa, integrados às mais de 500 agências do IBGE em todo o país. A atual série histórica do levantamento foi iniciada em 2012.