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Francisco Sousa (UISMM): Informe ao Conselho Presidencial da FSM

Veja como foi o discurso do secretário-geral da União Internacional de Metalúrgicos e Mineiros ao Conselho da Federação Sindical Mundial


POR Francisco Sousa

Publicado em 15 de janeiro de 2021

O secretário-geral da UISMM, Francisco Sousa, em foto de 2017


O secretário-geral da União Internacional de Metalúrgicos e Mineiros (UISMM), Francisco Sousa, o Chico, participou, em dezembro, da reunião do Conselho Presidencial da FSM (FSM). Em seu informe à reunião, Chico – que também é secretário de Políticas Internacionais da Fitmetal – abordou temas como a pandemia de Covid-19, a derrota de Donald Trump nas eleições presidenciais norte-americana e a crescente resistência dos povos latino-americanos, além da crise no Brasil sob o governo Jair Bolsonaro. Confira a íntegra do discurso.

Prezados Camaradas do Conselho, demais amigos da FSM e dirigentes sindicais classistas de todo mundo,

Dou início ao meu breve discurso com a tristeza pela partida de vários companheiros e companheiras de forma tão inesperada – e de um certo modo inconsequente, dada a falta de capacidade das grandes potências mundiais, e em particular do império estadunidense, em ajudar a organizar a luta contra o coronavírus, com o propósito de minimizar os efeitos trágicos e a perda de tantas vidas humanas para a pandemia.

Infelizmente, em meio a mais uma grande crise do sistema capitalista e do fracasso da onda neofascista chefiada pela Casa Branca, o mundo no epicentro da pandemia aguardou uma trégua nas diferenças político-ideológicas para juntos enfrentarmos o coronavírus. Afinal, trata-se de uma luta pela vida, uma causa humanitária. Puro engano! O que se viu foi a intensificação do negacionismo, a contraposição à ciência, o ataque político à OMS (Organização Mundial da Saúde) e a corrida desenfreada para o lucro a partir da disputa do mercado por insumos para o combate à pandemia.

Nem o povo estadunidense escapou da insensatez e da falta da capacidade de fazer política do governo truculento de Donald Trump. E o mais grave é que nem a sua derrota fragorosa nas urnas, sofrida recentemente, vai nos fazer esquecer o vergonhoso número de infectados e mortos contabilizados em todo mundo, tendo parte dessa triste situação consequência da desastrosa experiência vivida nesse período pelos Estados Unidos, governados por um bilionário excêntrico, propagador da necropolítica e do neofascismo em escala mundial, de forma irresponsável e que se mostrou completamente despreparado para comandar a maior potência do mundo capitalista.

Na América Latina, passada a tempestade que tentou varrer do continente os ideais bolivarianos e libertários, a pandemia acelerou o processo de retomada de lutas e a construção de importantes alianças para derrotar a direita golpista e financiada pelos EUA. A resistência da Venezuela, da Bolívia e da Argentina nos enche de esperança.

Embora estejamos vivendo tempos difíceis no Brasil após o Golpe de 2016 e com a eleição em 2018 de um governo autoritário, fascista, conservador e blindado pelas forças militares e por um Congresso Nacional reacionário em sua maioria, seguimos na luta. Apressaram e aprovaram as reformas que retiraram direitos e intensificaram o ataque ao movimento sindical e aos movimentos sociais em geral, no sentido de criminalizar as lutas por direitos sociais e pela democracia. Institucionalizaram o trabalho precário, aumentaram a pressão sobre a classe trabalhadora, muitas demissões, fechamento de empresas, privatização de setores economicamente importantes e estratégicos para o desenvolvimento e a nossa soberania impondo ao Estado brasileiro um retrocesso jamais visto na história recente da nossa NAÇÃO.

Deixamos de estar entre as oito maiores economias do mundo para nos tornarmos um mero exportador de matéria-prima de baixo valor agregado, com recorde de desempregados e salários cada vez mais baixos. As grandes montadoras de veículos (indústria automotiva, máquinas e equipamentos) seguem em crise e com produção em baixa, indicando fechamento de unidades. Os acordos coletivos estão cada vez mais flexíveis, sem vantagens para a classe trabalhadora e sob a ameaça de novas demissões. A indústria da mineração intensifica o avanço da produção sem controle ambiental, aumenta a tensão sobre os povos originários e a Amazônia passa a ser pauta preponderante na cúpula do G8 – não pela importância da biodiversidade e sim pela irresponsabilidade, falta de capacidade e incompetência política do governo federal.

Bolsonaro é um político forjado na escória do Poder Legislativo, oriundo da linha mais corrupta da política brasileira, que foi capitão do Exército durante a ditadura militar que perseguiu, torturou e matou milhares de brasileiras e brasileiros. Alguém que até pouco tempo servia de serviçal do governo Trump, dada a subserviência e o alinhamento político à Casa Branca, e que hoje se vê em sérias dificuldades após a derrota do seu candidato nas eleições presidenciais dos EUA. Ele está isolado politicamente e cada vez mais perdido. Bolsonaro apela para o apoio das facções criminosas e dos políticos de aluguel para manter seu governo, seu discurso de ódio e seu insaciável desejo de destruir o Brasil e os ideias progressistas e democráticos conquistados pelo povo nos últimos 30 anos.

Não vamos arriar uma só bandeira. Seguiremos lutando contra o vírus e contra o verme. Precisamos avançar, derrotar a extrema direita e o seu ideário racista, homofóbico, fascista, negacionista e de ódio para retomar o processo de unidade, organização e de luta por autonomia e desenvolvimento para a América Latina.

Viva a Classe Trabalhadora!
Viva a FSM!
VACINA PARA TODOS!

Francisco José Sousa e Silva
Secretário Geral da UISMM – FSM


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